Samambaia crescendo na parede

Samambaias são plantas bem conhecidas em nosso cotidiano. Com certeza em sua residência, ou na de algum conhecido, deve ter uma deixando o ambiente mais verde e alegre. São plantas bem bonitas, devido às folhas grandes e com um verde bem chamativo. Mesmo não tendo flores, são uma das mais populares plantas ornamentais em vários locais.

Talvez você se lembre dos tempos de escola, durante as maravilhosas aulas de botânica, que as samambaias eram classificadas no grupo das Pteridófitas. Como características gerais eram vegetais com xilema e floema (equivalente às veias e artérias do nosso corpo); com raiz, caule e folha bem desenvolvidos e que não formavam flor, fruto ou semente (você já viu semente de samambaia para vender?). Normalmente essa classificação mais tradicional ainda é ensinada no colégio e utilizada nos vestibulares da vida, mas a Biologia é um negócio meio mutante. A todo momento surgem novas classificações. Essa não é a ideia geral do post, mas para quem tem mais curiosidade nesse assunto as samambaias agora são classificadas em uma divisão chamada Monilophyta, mais especificamente na classe Polypodiopsida. (Obs: essas classificações dos seres vivos costumam mudar sempre e rola muita treta entre os biólogos, pois é bem difícil se chegar em um consenso em alguns casos. Então se você tem vontade de trabalhar com isso: boa sorte!!!). Estima-se que existam aproximadamente 10.500 espécies diferentes!

Mas vamos dar ênfase em uma situação que, em um primeiro momento pode parecer inusitada, mas que na realidade não é algo tão incomum assim: aqui em casa samambaia cresce na parede! Como isso acontece? Como ela foi parar lá?

Para desvendarmos esse mistério temos que relembrar algumas coisas importantes em relação ao ciclo de reprodução dessas plantas. Lembra que lá em cima eu falei que samambaia não tinha semente. Então como eu faço para plantar uma nova samabaia?

AVISO: Essa próxima parte da nossa história pode ser um pouco traumática para alguns, pois lembranças de nomes estranhos, traumas, provas de recuperação, notas vermelhas e afins podem surgir. Sem pânico. Pegue alguma coisa gostosa para comer e vamos encarar!

Todas as plantas, incluindo as samambaias obviamente, têm duas formas adultas. Uma delas se chama esporófito e a outra é o gametófito. No caso da nossa samambaia, o esporófito é a forma dominante que mais dura na natureza. Ou seja, a imagem que você tem de uma samabaia é o esporófito. Já o gametófito é bem pequeno (coisa de 1 – 3 cm) e dura bem pouco no ambiente.
O esporófito, como o nome já deixa a entender, produz uma estrutura reprodutiva chamada esporo. Logo, a nossa samambaia tem embaixo de sua folha umas bolinhas chamadas de soros que começam a liberar o esporo (um pozinho que nem sempre conseguimos ver a olho nu). Esse esporo cai em algum lugar e germina dando origem ao gametófito (aquele outro adulto minúsculo). O nome gametófito entrega: ele irá produzir as células sexuais (gametas) masculino e feminino. Haverá a fecundação, quando tiver um pouquinho de água disponível, e um novo esporófito (samabaia) será formado.

Agora para respondermos a pergunta inicial: como cresceu uma samabaia na parede? O que aconteceu foi o seguinte: uma das samambaias aqui do jardim produziu um esporo que, carregado pelo vento, grudou na parede (que poderia estar úmida ou com alguma fresta). Formou-se o gametófito, houve a fecundação e começou a crescer uma nova samambaia ali.

Para quem tem samambaia dá mesmo a impressão que, depois de um tempo, outras começam a aparecer “do nada” em vários locais. Mas é por meio da dispersão dos esporos que elas se espalham tão bem pelo ambiente. Desse modo que elas conseguem se dispersar no ambiente mesmo não tendo semente.

Agora quando as samambaias brotarem em tudo que é canto do seu jardim você já vai saber a explicação disso!

Comentários são sempre bem vindos! Até nossa próxima conversa! 😀

Referências (porque o conhecimento é colaborativo)

Smith, A. R., K. M. Pryer, et al. (2006). “A classification for extant ferns.” Taxon 55(3): 705-731

Número de espécies https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/jse.12229

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